domingo, 21 de agosto de 2011

Aborto? Sou a favor. Sofrimento? Sou contra.

Onde é que aborto entra num blog sobre política? Simples: falar nesse assunto serve para ganhar votos. Serve para esculachar candidatos com os quais os donos de revistas não simpatizam.


Na ocasião, Dilma mudou seu discurso em relação ao aborto. Para ganhar votos. Sua posição a favor do aborto era malvista por pessoas religiosas, que representam a maioria do eleitorado no Brasil. E aqui, lei é feita para agradar, não para beneficiar. Proíbe-se o aborto porque é a vontade de Deus, e ponto. O laicismo do Estado que se dane. 

Engraçado é que a revista Veja fez a caveira de Dilma "mostrando sua verdadeira face", mas a própria revista Veja se posicionou a favor do aborto em ocasiões anteriores (agradecimentos ao blog "A Cortiça" http://acortica.blogspot.com/2010/10/o-aborto-da-midia.html):





Eu sou a favor do aborto, antes da 3ª semana de gestação. Nessa fase, o feto é apenas um aglomerado de células, não tem sistema nervoso. Logo, não tem a capacidade de sofrer. Digo isso com propriedade, pois estudei embriologia por 3 meses na faculdade. Se o aborto for feito com procedimentos médicos corretos e anestesia geral, não há sofrimento nem para a mãe nem para o feto. 

Segundo um estudo citado pelo economista Steven Levitt em seu livro Freakonomics, a manutenção da legalidade do aborto nos Estados Unidos, em um determinado Estado, fez com que esse Estado mantivesse índices de criminalidade mais baixos. A justificativa dada foi a seguinte: o aborto evita o nascimento de crianças indesejadas, que teriam maior propensão ao crime. Muita gente caiu de pau em cima de Levitt, falando que ele era racista e classista. Mas o termo que ele usou não foi crianças negras ou pobres, foi crianças IN-DE-SE-JA-DAS. E filhos indesejados nascem em todas as classes sociais. Uma criança pode nascer em berço de ouro, mas se não tiver o amor da mãe, que não quis que ela nascesse, será criada de maneira negligente e terá sim propensão ao crime.  É bom salientar que o próprio Steven Levitt não tem simpatia pelo aborto, ele apenas apresentou um dado. 

Como eu disse, sou contra o sofrimento. Gostaria que crianças indesejadas não nascessem, para que elas não sofram durante a vida pela falta de amparo. 

Freqüentemente, a militância antiaborto é extremamente sensacionalista. Mostram fotos de fetos despedaçados, queimados, e jogam na cara: se você é a favor do aborto, você é a favor DISSO AQUI!!!!

Não, não sou a favor do que se vê nessas fotos (ressaltando que todos os fetos da figura tinham mais de 3 semanas, o que é evidenciado por terem membros formados). Vamos deixar bem claro: eu sou contra curetagem, salinização, aspiração e outros métodos horrendos de se abortar. E sou contra também o aborto após a 3ª semana, porque nesse caso o feto já teria sistema nervoso, ou seja, capacidade de sofrer. Eu sou a favor é disso aqui:

A figura diz que 77% dos líderes anti-aborto são homens, mas nenhum deles engravidará um dia. Ou seja, para o homem é hipócrita defender que a mulher deve manter a gravidez, sendo que ele não sabe o quanto uma mulher sofre durante a gravidez. Sou homem, e concordo. 

Se o aborto no Brasil fosse legalizado, mais pessoas teriam acesso a métodos abortivos seguros. Hoje, o que acontece é que mulheres ricas que se dizem religiosas abortam seguramente e mulheres pobres enfiam agulhas dentro do útero. 

Quando se fez uma pesquisa perguntando à população se eles eram contra o aborto, a maioria respondeu sem titubear que sim. Então foi feita uma segunda pergunta: se eles conheciam alguém que já tinha feito um aborto. A maioria respondeu que sim. A esses que responderam que conheciam, foi feita uma terceira pergunta: você acha que essa pessoa merece ser presa?  As pessoas ficaram na dúvida. 




Como disse, sou a favor do aborto antes da 3ª semana de gestação justamente porque sou contra o sofrimento. Apresentei argumentos lógicos para defender minha opinião. Mas nesse país onde a hipocrisia religiosa abunda, lógica fica em segundo plano. Assuntos como direitos dos homossexuais, legalização da maconha e aborto têm que primeiro passar pelo crivo de Jesus Cristo, depois ir para votação na câmara dos deputados. Não importa que esse país também tenha ateus, muçulmanos, budistas...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O Estado é corrupto? SIM! E a população? TAMBÉM!

Pesquisando para escrever o post anterior, eu encontrei por acaso um artigo que me chamou a atenção pelo título: "Por que o brasileiro não vai à rua para protestar"? É uma questão que me intrigava também.

Eu achava que era simplesmente por indolência. Pois convenhamos, o brasileiro já trabalha como um burro de carga e não merece usar seu tempo de folga para pesquisar, se informar e lutar contra as injustiças. Tempo de folga é para descansar.

Mas é mais do que isso. Quem tem a possibilidade de protestar foi comprado. Foi CORROMPIDO. Demonstraram tanta falta de caráter quanto os políticos do alto escalão do governo. União Nacional dos Estudantes, Movimento dos Sem-Terra, centrais sindicais, até mesmo a outrora vigilante Ordem dos Advogados do Brasil, em grande parte são um BANDO DE SAFADOS.

A UNE, que foi financiada com fartura pelo governo Lula (com míseros 50 milhões de reais), chegou ao absurdo de chamar o escândalo do mensalão de "golpe de mídia", e sair para protestar A FAVOR de Delúbio Soares, Marcos Valério e José Dirceu.

É isso. O "povo" (entre aspas porque as entidades citadas representam apenas uma parcela da população) não protesta porque foi comprado para ficar calado, ou até mesmo para defender os desmandos do Estado.

Parabenizo aqui o blogueiro Reinaldo Azevedo, que se respondeu com maestria a questão: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/por-que-o-brasileiro-nao-se-indigna-e-nao-vai-a-praca-protestar-contra-a-corrupcao-ensaio-uma-resposta-antes-de-alguns-dias-de-folga/

Dilma, a "herança maldita" e o mito do gene corrupto.

Dilma Roussef está indo bem até aqui, pelo menos na minha opinião. Para mim, presidente bom é presidente que não aparece. Ela não fica fazendo discursos inúteis ou organizando homenagens a si mesma, prática comum do presidente anterior, mas toda semana ela senta com os ministros para delegar funções e cobrar resultados, diferentemente do presidente anterior. É uma presidente que trabalha.

Além de trabalhar, Dilma tem se esforçado para se livrar da "herança maldita" do governo Lula, que foi conivente com figuras notórias da corrupção como Renan Calheiros e José Dirceu. Passou o rodo geral no pessoal do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Trânsito), que se envolveu em superfaturamento de obras. Apesar de ter feito isso pressionada pela imprensa, ela não tentou blindar os culpados (http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/alfredo-nascimento-deixa-ministerio-dos-transportes).

Mas presidente não tem superpoderes. Obama se elegeu nos Estados Unidos porque o povo tinha fé de que ele iria acabar com a crise econômica daquele país. Mas ele não vai acabar com a crise. Não sozinho. Assim como Dilma, sozinha, também não pode acabar com a corrupção no Brasil. E sejamos sinceros: isso nem é prioridade no governo dela. Dilma foi eleita para dar continuidade ao ASSISTENCIALISMO do PT  à população carente, inclusive bolando um plano "Brasil Sem Miséria", que eu já falei que não vai dar certo.

Mas voltando a falar de corrupção, presidente não faz o que é necessário fazer sozinho. Mostrar boa vontade ajuda, demitir que é pego em flagrante ajuda, mas não se acaba com a corrupção sem fiscalização.
E esse é uma das causas da corrupção no Brasil (eu vou falar de outra causa no próximo post).

Na verdade, as demissões do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Trânsito) não vão eliminar a engrenagem de corrupção da instituição. Lá dentro, sem fiscalização, a mamata continua. Eu adorei uma frase de um especialista consultado neste artigo: "Estão botando um vassalo do capeta para tomar conta de um pedaço do céu. E o capeta é esperto". (http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/07/23/modelo-de-gestao-do-dnit-caotico-com-mais-de-150-sistemas-falta-de-controle-924967166.asp#ixzz1T0GceYKq)

Este artigo, de Stephen Kanitz, é de 12 anos atrás mas continua atual. Nele, o autor desmente o mito do "gene corrupto", citando também o caso da Austrália em relação à Inglaterra, no qual a primeira era depósito de estupradores, bandidos e assassinos expatriados pela segunda. E fala de como a profissão de auditor (profissional responsável por fiscalizar as contas do Estado) no Brasil é desvalorizada. E sem auditores, amigos, o caminho está livre para a corrupção, por mais que a imprensa se esforce para botar a boca no trombone:http://www.kanitz.com.br/veja/corrupcao.asp

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Brasil sem miséria: me engana que eu gosto! (parte 2)



Continuemos a história que conta os obstáculos para criar um país sem miséria, meta que o governo PARECE querer alcançar.

Para criar um país sem miséria, é preciso fazer com que o dinheiro fique na mão das pessoas, aliviando-as da obrigação de sustentar o nosso Estado paquidérmico. Isso vale tanto para as empresas quanto para a população. Essa matéria mostra o ranking de competitividade já citado, mas de um ano antes (2009): http://www.cgimoveis.com.br/mercado/brasil-e-numero-38-em-ranking-de-competitividade-eua-continuam-liderando. O que importa aqui é a opinião do diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, que afirma que se a carga tributária brasileira fosse igual à de países economicamente semelhantes, o Brasil pagaria 40 BILHÕES de impostos A MENOS por ano. Para se ter uma idéia, países como a Rússia, que comparado ao Brasil têm mais riqueza para distribuir para menos gente, tem uma carga tributária de 23% contra 34% do PIB no Brasil. E olha que a Rússia é um país MAIS CORRUPTO  (http://inovacaomarketing.com/2011/05/08/marketing-como-fazer-a-empresa-prosperar-em-um-pais-corrupto/), e tem um PIB per capita SEMELHANTE.

Falando em corrupção, vamos ao peso desse elefante que defeca diariamente sobre as nossas cabeças, chamado Estado. Em junho do ano passado, enquanto o povo curtia uma ressaca na eliminação do Brasil na Copa de 2010, o dumbinho Estado promoveu um aumentão geral dos servidores do Judiciário. O cargo de nível superior de analista judiciário teve um reajuste de R$ 6.957,00 para R$ 10.883,00. Mas contando com benefícios, gratificações etc (e bota "etc" nisso), os vencimentos brutos podem chegar a 32 mil reais, mais do que o teto da categoria, 27 mil reais, que é o salário de um Ministro do Supremo. No total, a mamata resultou em aumento nos gastos públicos de R$ 6,4 bilhões (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100617/not_imp567804,0.php). Enquanto isso, o povo elegia Felipe Melo seu vilão nacional e se mobilizava nacionalmente para mandar o Galvão calar a boca. 


40 bilhões das empresas; 6,4 bilhões para o supremo... e por aí vai. Mas vamos nivelar por baixo. Como eu escrevi no meu primeiro post (http://politicacorrupcaoeimpostos.blogspot.com/2011/06/existe-deputado-honesto-e-claro-que.html), se todos os nossos 513 deputados mantivessem um padrão austero de gastos, a Câmara economizaria 1,2 bilhão de reais em quatro anos. Isso daria uma economia de 300 milhões por ano. Dividindo isso por cada brasileiro, daria R$ 1,57 a menos de impostos por ano. Não é muito. Mas pense nos números absolutos. 300 milhões. Imagine isso em 300 escolas. Em 300 hospitais. Imagine se o hospital de sua cidade recebesse1 milhão de reais a mais por ano de verba.

No vídeo, os simpáticos Caio Blat e Maria Ribeiro (acharam que botar uma gostosa ia desviar minha atenção do que estava sendo falado, né? ) afirmam que o governo vai levar luz e água para quem não tem. Ótimo, vamos levar luz e água para todo mundo, assim todo mundo vai poder pagar caro por ela! Entre os consumidores residenciais, a carga de imposto da conta de luz varia entre 30% e 40% (http://www.administradores.com.br/informe-se/economia-e-financas/impostos-sao-quase-metade-da-conta-de-luz/34118/) e em 2008 a conta de água vinha com 29,8% de impostos, e eu não creio que isso tenha mudado. Isso porque a nossa fonte de energia elétrica é barata e limpa, e a nossa reserva de água doce é a maior do mundo, como diz a carta que eu disponibilizei para download em meu terceiro post (http://politicacorrupcaoeimpostos.blogspot.com/2011/06/e-tome-imposto.html). Se o brasileiro não gastasse tanto pagando contas, poderia gastar mais em bens de consumo e aquecer a economia. Seria melhor ainda se o arroz não viesse com 15,3% de imposto (dados do arroz e da água:http://www.veronezzi.com.br/outros-assuntos/80-impostos-e-burocracia-precisam-diminuir/96-os-impostos-do-qquinto-dos-infernosq). Ou seja, o governo não quer que ninguém fique sem luz, sem água e passando fome, mas quer que todo mundo pague muito bem por isso.

No vídeo, eles falam sobre... levar educação a quem precisa. Quer falar de educação? Então vamos. No último programa internacional de avaliação de alunos (Pisa, na sigla em inglês), o Brasil ficou em 54º entre 65 países avaliados no ranking geral, sendo 57º em matemática, 53º em ciências e 53º em leitura (http://zerohora.clicrbs.com.br/pdf/9873525.pdf). No Brasil, em 2009, haviam 1.882.961 professores, mas aproximadamente 600 mil não eram formados ou davam aulas fora de sua área de atuação (http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL1169670-5604,00-QUASE+UM+TERCO+DOS+PROFESSORES+NAO+TEM+FACULDADE+OU+ATUA+EM+AREA+DIFERENTE.html). Tinha gente formada em Ciência da Computação (!) dando aula de História(!!). É, nossa colocação no Pisa não é totalmente culpa dos alunos, afinal de contas não dá para ensinar o que você não sabe.

E esse ano o freak show continua! O governo, mês passado, lançou um livro "didático" dispensado os alunos de flexionar as palavras no plural (http://colunistas.ig.com.br/poderonline/2011/05/12/livro-usado-pelo-mec-ensina-aluno-a-falar-errado/). Dizem eles que a intenção é evitar o preconceito com a variante popular da língua. Para mim, o verdadeiro preconceito é achar que é muito difícil falar “os livros ilustrados mais interessantes estão emprestados”. 


E agora, o governo gasta 14 milhões de reais para distribuir outro livro "didático" que ensina que 10-7= 4 (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2011/06/04/nos-livro-do-mec-10-7-4-faz-sentido-384512.asp)! Nesse país, muitos professores não sabem o que ensinam. Quem escreve os livros didáticos também não.  


Quer falar de educação? Quer falar de banir a corrupção? Quer falar de erradicar a pobreza? Então falemos de um país que é exemplo em tudo isso: Cingapura, país com a quarta população mais rica do mundo, onde 90% da população vive em casa própria. No mesmo Pisa supracitado, Cingapura ficou em 4º no ranking geral. É o 3º país menos corrupto do mundo, com uma avaliação de 9,3 numa escala de 0 a 10 (http://lista10.org/miscelanea/os-10-paises-mais-e-menos-corruptos-do-mundo-2010/). Lá, chegou-se ao ponto de prender um ministro porque ele tirou férias no período de trabalho (http://www.youtube.com/watch?v=3tjdDMUAn7A, aos 1:20 do vídeo), uma QUIMERA na realidade brasileira.  E no país com a maior proporção de milionários do mundo, a carga tributária é de 13, isso mesmo, 13% do PIB(http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_tax_revenue_as_percentage_of_GDP). Lá eles entendem que uma carga tributária alta é suicídio para o crescimento do país.

Claro, é covardia comparar um país com território e população menores que o município de São Paulo ao 5º país do mundo em território e população. Seria utopia chegar ao nível deles, mas se quisermos um bom exemplo, aprendamos com os melhores. Eles têm tudo que é necessário: a educação é excelente, o Estado não é oneroso e o governo não é corrupto. Lá, eles têm um apego ferrenho às regras. Tanto que chegaram a proibir chiclete nas ruas porque um engraçadinho metido a brasileiro botou um chiclete na porta do metrô (http://www.youtube.com/watch?v=JxoxK1WsccM, 12:08 do vídeo), parando o sistema.

Apego às regras é fundamental para o crescimento de um país. De nada adiantaria liberar os impostos e estimular o crescimento se empresários inescrupulosos (inúmeros) continuarem congelando salários, se recusando a pagar direitos trabalhistas e a contratar funcionários. A fiscalização precisaria ser ostensiva. Em Cingapura, tem fiscal até para ver se as pessoas jogam bituca de cigarro no chão (mesmo vídeo do último parágrafo, 9:47).

Para terminar, para fazer um país sem miséria precisamos parar de falar besteira, como a necessidade de uma carga tributária alta, que a taxa de desemprego é maior entre pessoas com mais estudo (o que é verdade, mas é porque ninguém quer pagar o que uma pessoa estudada merece) e que o Brasil tem "DNA corrupto", porque era "depósito de lixo humano de Portugal". A mesma coisa aconteceu com a Austrália em relação à Inglaterra (http://www.siagespocmt.com.br/v2/?pag=4&id=52), só que lá o povo levou o combate à corrupção a sério. E países africanos cheios de diamantes e ouro foram colonizados por ingleses, franceses e holandeses (como Serra Leoa, o que pode ser conferido no filme "Diamante de Sangue), e hoje são miseráveis. Ou seja, se o país é corrupto, A CULPA É NOSSA, não de gente do século XVI.

No final do vídeo, Caio Blat pergunta: "Já pensou quando acabarmos de vez com a miséria?". Eu já. Imaginei um país com o governo honesto, um Estado austero, uma educação decente, serviços públicos de qualidade e carga tributária justa. Ou seja, nada a ver com o nosso.


P.S.: Reconheço que os dois posts ficaram compridos e peço desculpas por isso, mas se você reparar na quantidade de links do texto, perceberá o quanto eu precisei pesquisar para escrevê-los. Se quisermos melhorar um país, não ter preguiça de ler e escrever é o MÍNIMO que se pode fazer. 

Brasil sem miséria: me engana que eu gosto! (parte 1)

"Something old, something new", como diria Bruce Dickinson num show do Iron Maiden, depois da banda tocar um clássico e antes de apresentar uma música do álbum mais recente.

Depois de alguma velharia, algo fresquinho saído do forno: o programa do governo da presidente (eu sou purista, não consigo falar "presidenta") Dilma "Brasil sem Miséria", que entre os objetivos pretende dar assistência para a produçao agropecuária e facilitar a comercialização no campo, e capacitar mão-de-obra nas cidades. Muito bom, senhores governantes. Vamos dar condição para todo mundo trabalhar. Mas alguém aí acredita que simplesmente trabalhar vai dar um padrão de vida satisfatório para os brasileiros que hoje se encontram na miséria?

Não sejamos injustos. O Brasil está com uma taxa de desemprego excelente se comparado a países recém-saídos da crise de 2008 (ou que continuam nela). Nossa taxa de desemprego é de 6,1 %, contra 9% dos Estados Unidos, 7,9% do Reino Unido e 6,6% da Alemanha (http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/02/desemprego-no-brasil-e-um-dos-menores-entre-grandes-economias.html). Palmas para o governo. Mas levando em consideração que a nossa população ativa é de 79 milhões de pessoas (http://www.mundoeducacao.com.br/geografia/populacao-economicamente-ativa-brasil.htm), chegamos à conclusão de que 4,819 milhões de pessoas ainda dependem de ajuda do governo para sobreviver (isso sem contar as pessoas que, apesar de empregadas, são miserávieis). Em números absolutos, é gente à beça.

E por que não se criam mais empregos no Brasil? E mesmo para os que trabalham, porque os salários são tão baixos? IMPOSTOS, ora essa! Esse excelente site explica tudo: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=536. Mas em resumo bem resumido, quanto mais impostos uma empresa paga, menos ela investe em salários e contratações, e isso sem afetar seus lucros, que podem até aumentar em decorrência dessa situação (menos despesas, mais ganhos), pois as empresas podem compensar sua tributação comprando títulos do Tesouro. Porém, o menor capital disponível para investimentos diminui a produtividade, o que diminui os bens de consumo em circulação, o que aumenta os preços desses bens, o que diminui o poder de compra, e prejudica quem? Um doce para quem acertar.

O TRABALHADOR ASSALARIADO, é lógico!

E olha que tem gente por aí falando besteira, que a alta carga tributária no Brasil é necessária porque nosso PIB é menor e mais dependente da arrecadação de impostos (http://altamiroborges.blogspot.com/2011/04/falacia-da-carga-tributaria-no-brasil.html). O autor desse blog diz que países como os Estados Unidos podem se dar ao luxo de manter uma carga tributária baixa porque o PIB, tanto absoluto quanto per capita, é monstruoso.

Ah, conta outra, vai.

Os dados são de 2010 (é necessário esperar o ano acabar para calcular o PIB), mas continuam ilustrando os fatos. Países com PIB absoluto BEM MENOR que o nosso, como Argentina e México, arrecadam bem menos imposto que nós. Nossa carga é de 34% do PIB, contra 17,5% do México e 29% da Argentina. E nosso PIB, dependendo da lista, é o SÉTIMO ou OITAVO do mundo, variando entre 1,5 e 2 TRILHÕES de dólares (http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_GDP_(nominal)). E o Brasil poderia se dar ao luxo de cobrar menos impostos por habitante, pois nosso PIB per capita é maior que os dos dois outros países citados no ranking do FMI de 2010. Estamos em 53º contra a 61ª posição do México e 62ª posição da Argentina (http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_GDP_(nominal)_per_capita). Quem foi que falou mesmo que nos EUA o povo paga menos impostos proporcionalmente porque o PIB per capita é alto, logo eles pagam um percentual baixo de bastante dinheiro? No México e na Argentina, se o povo ganha pouco, não precisa ficar pagando impostos para sustentar o crescimento do país.

Então vai contar essa história de que o Brasil precisa compensar a falta de produção de riqueza na casa da sua avó, pra ver se ela dorme. Como já visto, o Brasil produz MUITA riqueza. No mais recente ranking das 500 maiores empresas da América Latina (de 2010), 226 dessas empresas são brasileiras (45%). Se somarmos o volume de vendas dessas empresas, o Brasil é responsável por quase metade: 48% (http://www.administradores.com.br/informe-se/administracao-e-negocios/brasil-tem-45-das-500-maiores-empresas-latino-americanas/36121/). 

E essa história de comparar com os Estados Unidos idem. Os Estados Unidos chegaram onde estão porque o ambiente é favorável aos negócios, produz-se muitos bens de consumo, a concorrência é facilitada e a população tem poder de compra. Se tudo isso acontecesse no Brasil, muito mais riqueza seria gerada. E ainda assim, o Brasil é os "Estados Unidos" da América Latina em termos de dominância econômica.

Porém, em um recente ranking de competitividade de 59 países, o Brasil ocupa o 44º lugar. ( http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201105180830_BBB_79708734). O que interessa, nessa lista, é que somos o país com maior diferença de eficiência entre os setores público (55º no ranking) e privado (29º). Ou seja, o brasileiro, além de sustentar o seu governo, tem que pagar escolas particulares e planos de saúde por não poder contar com os serviços públicos. 

Se você, leitor ou leitora, ainda não entendeu o que esse papo de impostos, PIB e produção de riqueza tem a ver com um país sem miséria, essa história continua.

E tome imposto!

Um pouco mais de velharia de qualidade. É o caso dessa carta recebida pelo jornalista Alexandre Garcia, do jornal global Bom Dia Brasil, de um amigo estadunidense (sim, esse é o termo apropriado para um nativo dos E.U.A.). A carta é de 2004, mas exceto pela cotação do dólar (por volta de R$ 3,10 na época, por volta de R$1,60 hoje), e pelo preço da gasolina nos EUA (US$ 0,30 na época, cerca de R$ 0,93; para US$ 0,84 hoje, cerca de R$ 1,39), a descrição continua se enquadrando na atual situação.

Impostos são tema crucial da política estadunidense. Se um candidato a um cargo do Executivo ameaça aumentar impostos, a população sai às ruas. Essa não é uma cultura consagrada no Brasil, infelizmente. Nesse país, interessa mais se os pobres ficam menos pobres graças à programas de bolsa-esmola, se quem não tinha emprego passa a ganhar um salário de fome, e se a balança comercial é positiva, mesmo que isso não proporcione benefícios para a população.
Eu só discordo quando o ianque orgulhoso fala que seus filhos vão para “excelentes escolas públicas”. Embora o ensino superior nos Estados Unidos seja de excelência (até porque TODAS as universidades são particulares), as escolas públicas não são nenhuma Brastemp. Ouvi isso de quem já morou lá.

Não posso colocar a carta diretamente aqui, pois o Google (que fornece o serviço Blogger) me puniria por plágio. Eis o link.

Mantenha seu prefeito na coleira.

O objetivo desse blog é reunir algumas informações interessantes sobre política e outros assuntos, mas infelizmente nem tudo é novo. Alguns posts serão de coisas publicadas há 10 anos atrás, mas que apresentam similaridade com a situação atual. Essa excelente reportagem da revista Época, por exemplo, é de 2004, e não foi fácil encontrá-la. Agradecimentos ao site novasoure.8k.com, que salvou este texto de grande utilidade pública. 


A reportagem mostra como, com boa vontade de políticos e população, pode-se aproveitar bem o dinheiro público. O bom exemplo citado foi o município de Piraí, no Rio de Janeiro, que conseguiu instalar internet de alta velocidade gratuita em 100% de seu território. O prefeito na época, Luiz Fernando de Souza (Pezão), recebeu um prêmio da Unseco e hoje é vice-governador do Rio de Janeiro (tamanho o destaque que teve, Sérgio Cabral o chamou para sua chapa numa reeleição quase certa em 2008). Mostra também como fazer uso execrável do dinheiro público, com prefeitos abrindo negócios às custas do Erário e do otário. 


Não posso colocar a reportagem diretamente aqui, pois o Google, que fornece o serviço blogger, me puniria por plágio. Mas vale a pena ler, por isso eu disponibilizei o link.